sábado, 14 de janeiro de 2012

Direção do PCdoB de Brasília realiza planejamento

Apesar do período de férias, a nova direção do PCdoB de Brasília decidiu realizar, neste sábado (14/01), o seu Seminário de Planejamento Estratégico.

O encontro dos comunistas acontece na Sede do Comitê do Distrito Federal e conta com o monitoramento da professora Maria Valéria Duarte, especialista em planejamento estratégico. 

Nos trabalhos de grupo acontece a participação ativa dos dirigentes do Partido no Plano Piloto.


Segundo Leandro Cerqueira, presidente do Partido no Plano Piloto, este é um momento importante para pautar os desafios deste comitê que tem grande relevância por se tratar da Capital Federal. 

Os trabalhos seguem até o final do dia e pretende-se constituir as linhas gerais que indicarão os objetivos e ações para os próximos dois anos.

Por Sônia Corrêa

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Acervo de Prestes traz análises sobre o Brasil durante a ditadura


Doado nesta terça-feira (3) ao Arquivo Nacional, no Rio, o acervo pessoal de Luiz Carlos Prestes (1898-1990) contém mais do que informações sobre a ação política do líder comunista e denúncias de torturas.

Traz relatos de notícias do Brasil na ditadura militar e a sua análise dos fatos, além de vasta correspondência pessoal com mulher e filhos.

Numa carta de 1981, endereçada ao filho adotivo Pedro, que vivia em Cuba e era seu "porta-voz" junto a Fidel Castro, Prestes opina sobre a saída do chefe da Casa Civil Golbery do Couto e Silva (1911-1987), então homem forte do regime militar.

"Depois da bomba do Rio Centro [atentado frustrado atribuído à ala mais conservadora da ditadura], o acontecimento mais importante foi a queda do Golbery, chefe da "Casa Civil" da ditadura e que, na verdade, exercia mesmo a função de presidente da República."

Segundo Luiz Carlos Prestes Filho, as cartas a Pedro, morto em 2011, são especialmente importantes, pois revelam muito dos ideais e opiniões do líder. Prestes adotou Pedro e Paulo, filhos do primeiro casamento de sua mulher Maria Prestes.

Entre as correspondências, diz, estão ainda cartas a filhos e netos a partir do exílio, com cobranças sobre a vida escolar, o estudo da língua portuguesa (já que viveram muito tempo no exterior) e orientações sobre a carreira a ser escolhida.

Nas 27 pastas de documentos doadas, há uma carta a Fidel de 1979, sinalizando necessidade de repensar as ações no Brasil após a anistia de 1979. Outro documento, de 1975, dirigido a correspondentes internacionais, denuncia a tortura de 35 presos e a morte de cinco deles.

A decisão de doar o acervo partiu de Maria Prestes. Sobre a contrariedade da filha mais velha de Prestes, Anita Leocádia Prestes, filha de sua união com Olga Benário, a viúva diz que ela "não é dona da memória" do líder.

Em e-mail ao jornal "O Globo", Anita diz que a divulgação do acervo é "um desrespeito à vontade" de Prestes, que "jamais concordaria com tal divulgação". Procurada, Anita não foi localizada pela reportagem.

Fonte: Folha.com

Movimento Sindical: CTB cresce e se consolida Brasil afora


Para a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) o ano de 2011 pode ser considerado vitorioso. Ao longo dos meses o movimento sindical pôde assistir à expansão da Central nos estados e seu poder de mobilização. Foram diversas lutas nas quais a CTB foi protagonista ou deu seu apoio, dentre elas se sobressaem greves, eleições, conferências, campanhas e filiações de sindicatos.

A CTB no Primeiro de Maio.
Para além das lutas, neste ano, a CTB também proporcionou à classe trabalhadora uma homenagem, recheada de conscientização política e reivindicações.

Como em todos os anos, a CTB aproveitou o Dia 1º de Maio para levar um pouco de entretenimento aos trabalhadores por todo Brasil, e acima de tudo, reivindicar mais uma vez a efetiva implantação das propostas contidas na Agenda da Classe Trabalhadora, entre elas a redução da jornada sem redução de salários; valorização do salário mínimo; fim do fator previdenciário e valorização das aposentadorias; trabalho decente; igualdade entre homens e mulheres; valorização do serviço público e do servidor público; reforma agrária; educação e qualificação profissional e redução da taxa de juros. Bandeiras defendidas pela CTB ao longo do ano.

Em São Paulo, o evento considerado nacional, reuniu cerca de 1,5 milhão de trabalhadores na Avenida Marquês de São Vicente. Mas assim como na capital paulista, diversos estados também promoveram atos e manifestações em alusão ao Dia do Trabalhador. Em cerca de 200 cidades, em 24 estados, as centrais organizaram festas que reuniram quase dez milhões de pessoas.

No Nordeste, Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia fizeram festas importantes. Em Salvador (BA), a Pça. Castro Alves assistiu a um ato com discursos das lideranças sindicais, autoridades, representantes de partidos políticos e atrações culturais.

No Norte e no Centro-Oeste, destacaram-se as manifestações no Pará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No Sudeste, além da festa nacional realizada em São Paulo, as CTBs dos quatro estados mobilizaram seus trabalhadores.

No Sul, a CTB-RS promoveu importantes festas em Canoas e Caxias, com a presença de milhares de trabalhadores. Mais de 30 mil pessoas foram às ruas em cada uma das cidades.

A expansão da CTB pelo Brasil

Também foram destaque em 2011 as fundações de sindicatos e da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras no Serviço Público Municipal do Estado da Bahia – Fettram, em 12 de agosto desse ano. A criação da entidade, que já nasceu filiada à CTB, Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB) e Federação Sindical Mundial (FSM), é fruto de um amplo debate pela mudança política entre os trabalhadores do setor.

Assim como a Fettram, a partir de uma série de ações e medidas que vêm sendo implementadas por seus dirigentes desde o ato de sua fundação, dezenas de sindicato se filiaram à CTB desde o início do ano. Hoje fazem parte da CTB as mais variadas categorias, fisioterapeutas, caminhoneiros, professores, funcionários públicos, agentes de saúde e comunitários, entre outros.

Desde o início de 2010 foram filiados mais de 70 sindicatos, destes 29 rurais. Com destaque para a Bahia, Paraíba, Rio Grande do Sul – pela quantidade, e São Paulo – pela filiação da Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp). “O crescimento expressivo da CTB é resultado de sua política ampla e de sua defesa de questões importantes como a unicidade e a contribuição sindical”, declarou o vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana.

Mas o crescimento da CTB não para por aí. Além das filiações, foram motivo de incentivo para os sindicalistas as vitórias em inúmeros processos eleitorais Brasil afora, quando as categorias ratificaram e se identificaram com o método classista de condução utilizado pela CTB nas entidades sindicais.

A exemplo disto, no APLB Sindicato da Bahia, mesmo antes do fim do processo de apuração, iniciado na noite da sexta-feira (5 de agosto), a vitória da Chapa 1 – Avançar com Experiência, Renovação e Unidade – já se tornava evidente, devido à grande diferença de votos entre as duas chapas que concorreram ao pleito. Ao final do processo eleitoral a Chapa 1 obteve nas urnas 35.417 (81,22%), contra 6.698 (15,36%) da Chapa 2.

Para Pascoal Carneiro, secretário-geral da CTB Nacional, essa vitória é dos trabalhadores, que mais uma vez confiaram em uma chapa classista e de luta, formada por quem fez e continuará fazendo história e garantindo vitórias cada vez mais expressivas. “Uma chapa que, também, constituirá uma diretoria repleta de caras e ideias novas”, declarou o dirigente.

Agenda dos trabalhadores

Outro tema que mobilizou as estaduais da CTB foi a VI Jornada Nacional de Debates do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) promovida em parceria com as Centrais Sindicais, que nessa edição abordou o tema "Negociação coletiva e trabalho decente”.

Em sua sexta edição, a jornada teve início no Pará, Pernambuco, Paraná, simultaneamente, e percorreu todas as capitais brasileiras com objetivo de esclarecer aos trabalhadores seus direitos e deveres para que eles possam, através do conhecimento, se preparar de acordo com a lei para defender sua categoria, sobretudo nas Negociações Coletivas e Condições de Trabalho.

A campanha pelo trabalho decente, aliás, encampada pela CTB e que está contida na Agenda Unitária da Classe Trabalhadora, documento aprovado na Conclat (junho/2010), foi entregue pelas centrais ao presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), em 9 de agosto, após diversas manifestações realizadas por todo o país.

“A classe trabalhadora demonstrou em todas as regiões do país que está disposta a lutar pelas suas reivindicações contidas na Agenda Unitária da Classe Trabalhadora. É essa militância nos estados que se mobiliza, organiza e participa, que faz a CTB ser hoje a Central que é. Forte, classista e de luta. Parabéns a todos e todas”, cumprimentou o presidente da CTB Nacional, Wagner Gomes.

Fonte: CTB

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Nova classe média ou classe trabalhadora?


Por Marcio Pochmann*
A centralidade do trabalho, conferida pelo impulso das políticas públicas em pleno ambiente de recuperação econômica dos últimos anos, foi responsável pelo fortalecimento do segmento situado na base da pirâmide social brasileira.
Na década de 2000, por exemplo, foram 21 milhões de novos postos de trabalho abertos, sendo 95% deles com remuneração de até 1,5 salário mínimo mensal, capazes de permitir a redução tanto do mar de pobreza existente como do patamar extremo da desigualdade no interior do rendimento do trabalho. Na década de 1990, o Brasil das políticas neoliberais abriu somente 11 milhões de ocupações, sendo 62,5% delas sem remuneração.

O adicional de ocupados na base da pirâmide social reforçou o contingente da classe trabalhadora, equivocadamente identificada como uma nova classe média. Talvez não seja bem um mero equívoco conceitual, mas expressão da disputa que se instala em torno da concepção e condução das políticas públicas atuais.

A interpretação de classe média (nova) resulta, em consequência, no apelo à reorientação das políticas públicas para a perspectiva fundamentalmente mercantil. Ou seja, o fortalecimento dos planos privados de saúde, educação, assistência e previdência, entre outros. Nesse sentido, não se apresentaria isolada a simultânea ação propagandista desvalorizadora dos serviços públicos (o SUS, a educação e a previdência social).

A despolitizadora emergência de segmentos novos na base da pirâmide social resulta do despreparo de instituições democráticas atualmente existentes para envolver e canalizar ações de interesse para a classe trabalhadora ampliada. Ou seja, o escasso papel estratégico e renovado do sindicalismo, das associações estudantis e de bairros, das comunidades de base, dos partidos políticos, entre outros.

No final da década de 1970, estudos como o de Eder Sader ("Quando Novos Personagens Entram em Cena") buscaram destacar que o crescimento econômico da ditadura militar culminou com o novo movimento de ascensão do grande contingente de brasileiros oriundos da transição do campo para cidades.

Aquela mobilidade na base da pirâmide social, que havia sido contaminada pela precariedade das cidades e dos serviços públicos, foi capturada pelo novo sindicalismo e por comunidades de base, o que impulsionou a luta pela transição democrática e pelo aparecimento das políticas sociais universalistas. Isto é, a chave do rompimento à longa fase da cidadania regulada predominante no Brasil, como descreveu Wanderley dos Santos ("Cidadania e Justiça").

Ainda que no cenário derrotista das teses neoliberais vigente atualmente, elas parecem se renovar e ganhar impulso marqueteiro na agenda mercadológica do consumo. Isso torna a agenda das políticas públicas assentadas na centralidade do trabalho desafiada, posto que a força difusora de um conceito equivocado sobre alterações na estratificação social pode levar à dispersão e fragmentação da atuação do Estado.

O entendimento correto acerca do impulso ampliado da classe trabalhadora deveria ser acompanhado da transformação dos segmentos sociais emergentes em novos personagens pelas instituições democráticas atuais. Dessa forma, soergueriam os atores protagonistas da contínua luta pelas políticas públicas universais.
* Marcio Pochmann, professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas, é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Privataria tucana: quando o silêncio é uma confissão


“O silêncio é uma confissão”, dizia Camilo Castelo Branco. A famosa sentença do escritor português é prefeita para caracterizar o comportamento da nossa mídia hegemônica, monopolizada por meia dúzia de famílias capitalistas, em relação às denúncias contidas no livro “A privataria tucana” do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

O silêncio, constrangido e constrangedor, é a norma neste caso e vale também para a intensa movimentação no Congresso Nacional em torno da criação de uma CPI para investigar o escândalo, que envolve grandes somas de dinheiro do povo desviado criminosamente pelos cardeais do tucanato.

Ghost writer
O silêncio foi quebrado, por um ou outro “calunista” da mídia incomodado com as críticas que se multiplicam na internet, exclusivamente para desacreditar a obra e desqualificar seu autor. É o caso do funcionário da Rede Globo e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), posição que alcançou não pelos textos medíocres que produz, mas graças ao poder do veículo que o emprega (Machado de Assis deve arder de remorsos no túmulo ao meditar sobre o destino de sua polêmica criação).

Merval sai a campo de cara limpa em defesa dos tucanos e de José Serra, com apelos e argumentos falsos que foram desmascarados pelo líder petista e advogado José Dirceu e pelo jornalista Luiz Nassif. Nassif desconfia que existe um ghost wreiter (escritor fantasma) por trás do texto, que considera estranho ao estilo de Merval. “Corto um dedo se o ghost writer dessa tertúlia não é o próprio Serra”.

Dois pesos, uma medida
É preciso que a opinião reflita sobre o comportamento da mídia hegemônica, capitalista, que tanto ruído tem feito ao longo dos últimos anos em nome da moralidade pública e do combate à corrupção, veiculando calúnias, denúncias falsas e sem provas (como as que foram feitas contra Orlando Silva, acusado por um bandido e pela revista Veja de receber dinheiro na garagem do Ministério de Esportes: cadê as provas?).

Agora, diante de uma reportagem ampla e rigorosa (um trabalho de 10 anos), recheada de provas e envolvendo desvio de bilhões de reais - valores incomparavelmente superiores a de todas as supostas irregularidades que, segundo as denúncias, teriam sido praticadas nos governos Lula e Dilma -, a resposta da mídia venal é o silêncio ou o sofisma rasteiro.

Não restam dúvidas de que os meios de comunicação de massas monopolizados por meia dúzia de famílias, com a honrosa exceção da Record, usam de dois pesos e uma medida e se comportam como um partido de direita, fazendo juz ao irônico apelido criado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim. Trata-se, inegavelmente, de um Partido da Imprensa Golpista, o PIG.

Propósito golpista
Ao acolher e divulgar calúnias o PIB age com o propósito golpista (mal disfarçado) de desacreditar as forças progressistas, em especial os comunistas, e desestabilizar o governo Dilma. Mas vende um peixe podre: a imagem de que defende a ética e os bons costumes.

O silêncio quando o alvo das denúncias é a direita neoliberal, capitaneada pelos tucanos, carrega uma confissão de cumplicidade moral, ideológica e política com a grossa corrupção que mediou a transferência de patrimônio público para a iniciativa privada, com empresas que valem ouro (como a Vale) vendidas a preço de banana.

Identidade com os tucanos
É também reveladora do caráter desta mídia venal a crítica interna da jornalista e ombudsman da Folha de São Paulo, Suzana Singer,que acabou vazando e rendendo bons comentários nas redes sociais.

Singer revela que recebeu, num só dia, 141 mensagens de crítica ao jornal pela matéria publicada sobre o assunto e elencou os cinco motivos das críticas: “1) ter [o texto da Folha] um viés de defesa dos tucanos; 2) não ter apresentado Amaury Ribeiro Jr. devidamente e não tê-lo ouvido; 3) exigir provas que são impossíveis (ligação das transações financeiras entre Dantas e Ricardo Sérgio e as privatizações); 4) não ter esse grau de exigência em outras denúncias, entre as mais recentes, as que derrubaram o ministro do Esporte (cadê o vídeo que mostra dinheiro sendo entregue na garagem?); 5) não ter citado que o livro está sendo bem vendido”.

Além da identidade política e ideológica, interesses mais terrenos ajudam a explicar a conduta do PIG, conforme sugeriu o jornalista Amaury Ribeiro Jr em recente debate sobre o tema promovido pelo Centro de Estudos Barão de Itararé: “Se CPI for aberta, vou avisar que o que está no livro é pequeno. Vai chegar à sociedade a forma como a editora de uma grande revista e veículos de comunicação tiveram dívidas perdoadas depois da privatização", adiantou. A necessidade de uma CPI é mais que óbvia, mas o PIG fará das tripas coração para impedir a apuração e manter, através da conspiração do silêncio, a imundície tucana sob o tapete.

Portal Vermelho

domingo, 18 de dezembro de 2011

Encontro internacional de PC's: “O socialismo é o futuro!"

 A organização do 13º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários divulgou essa semana a declaração final do encontro realizado entre os dia 9 e 11 de dezembro em Atenas, Grécia.

A situação internacional e a experiência dos comunistas 20 anos após a contra-revolução na URSS. As tarefas para o desenvolvimento da luta de classes nas condições da crise capitalista, das guerras imperialistas e das atuais lutas e levantamentos populares pelos direitos dos povos e da classe operária, o fortalecimento do internacionalismo proletário e da frente anti-imperialista, pelo derrube do capitalismo e a construção do socialismo.”

O Encontro contou com a participação de 78 Partidos de 59 países. Vários Partidos que, por motivos alheios à sua vontade, não puderam estar presentes, enviaram mensagens escritas. Saudamos, a partir de Atenas, as crescentes lutas populares, das quais resulta um enorme potencial emancipador contra o imperialismo, contra a exploração e opressão capitalistas e pelos direitos sociais, laborais e à segurança social dos trabalhadores de todo o mundo.

O Encontro realizou-se em condições complexas, em que a situação internacional continua dominada pela persistente e cada vez mais profunda crise capitalista, bem como pela escalada agressiva do imperialismo expressa nas decisões da Cimeira de Lisboa que aprovou o novo conceito estratégico da NATO. Esta realidade confirma as análises das declarações dos X, XI e XII Encontro Internacionais, realizados no Brasil (São Paulo) em 2008, na Índia (Nova Delhi) em 2009 e na África do Sul (Tshwane) em 2010.

Torna-se cada vez mais óbvio para milhões de trabalhadores que a crise é uma crise do sistema. Não resulta de falhas no sistema, mas da falha que é o próprio sistema, gerando crises periódicas e frequentes. Resulta do aprofundamento da principal contradição do capitalismo, entre o caráter social da produção e a apropriação capitalista privada, e não de uma qualquer versão das políticas de gestão do sistema ou duma qualquer aberração resultante da ganância de alguns banqueiros ou outros capitalistas, ou da ausência de mecanismos de regulação eficazes. A crise põe em evidencia os limites históricos do sistema e a necessidade de fortalecer as lutas por rupturas anti-monopolistas e anti-capitalistas e da superação revolucionária do capitalismo.

O impasse das várias versões de gestão burguesa estão a ser demonstradas nos EUA, Japão, União Europeia e em outras economias capitalistas. Por um lado, a linha de políticas restritivas conduz a uma longa e profunda recessão, enquanto que por outro lado políticas expansionistas com enormes pacotes de ajudas aos grupos monopolistas, ao capital financeiro e à banca, aumentam a inflação e aumentam a dívida pública. O capitalismo converte a insolvência dos grupos econômicos em insolvências soberanas. O capitalismo não tem outra resposta para a crise que não a destruição massiva de forças produtivas e de recursos, os despedimentos em massa, o encerramento de empresas, o ataque global aos salários, pensões e segurança social, a redução dos rendimentos do povo e o aumento exponencial do desemprego e da pobreza.

A ofensiva anti-popular aprofunda-se e manifesta-se com particular intensidade em certas regiões. A concentração e centralização do capital monopolista aprofundam o caráter reacionário do poder econômico e político. A re-estruturação capitalista e as privatizações são promovidas visando a competividade e a maximização do lucro do capital, assegurando uma força de trabalho mais barata e a regressão de décadas no plano dos direitos sociais e laborais.

A intensidade da crise, a sua sincronização global, a perspectiva duma recuperação débil, intensificam as dificuldades das forças burguesas para gerir a crise, conduzindo ao agudizar das contradições e rivalidades inter-imperialistas, ao mesmo tempo que aumenta o perigo de guerras imperialistas.

Os ataques contra os direitos democráticos e contra a soberania intensificam-se em muitos países. Os sistemas políticos tornam-se mais reacionários. Reforça-se o anti-comunismo. Generalizam-se as medidas contra a atividade dos partidos comunistas e operários, contra as liberdades sindicais, políticas e democráticas. As classes dominantes desenvolvem uma tentativa multi-facetada para conter o descontentamento popular através de mudanças nos sistemas políticos, da utilização duma série de ONGs e outras organizações pró-imperialistas, através das tentativas de canalizar o descontentamento popular para movimentos de cariz alegadamente apolítico ou mesmo de características reacionárias.

Saudamos as importantes lutas e levantamentos dos trabalhadores e dos povos pelos direitos sociais, democráticos e políticos, contra os regimes anti-populares no Médio Oriente e no Norte de África, nomeadamente na Tunísia e no Egito. Apesar das contradições que se manifestam na atual situação, tais acontecimentos constituem uma experiência significativa que o movimento comunista deve estudar e utilizar. Simultaneamente condenamos veementemente a guerra imperialista da Otan e da União Europeia contra o povo Líbio, bem como as ameaças e ingerências nos assuntos internos da Síria, do Irão e de qualquer outro país. Consideramos que qualquer intervenção estrangeira contra o Irão, independentemente do pretexto invocado, ataca os interesses dos trabalhadores iranianos e as suas lutas por direitos sociais e liberdades democráticas.

Estes desenvolvimentos confirmam a necessidade de fortalecer os partidos comunistas de forma a poderem desempenhar o seu papel histórico, fortalecendo ainda mais a luta dos trabalhadores e dos povos em defesa dos seus direitos e aspirações, tirando partido das contradições do sistema e das contradições inter-imperialistas, para assegurar uma ruptura ao nível do poder e da economia, que satisfaça as necessidades populares. Sem o papel dirigente dos partidos comunistas e operários e da classe de vanguarda, a classe operária, os povos tornar-se-ão vulneráveis à confusão, assimilação e manipulação por parte das forças que representam os monopólios, o capital financeiro e o imperialismo.

Estão em cursos significativos realinhamentos na correlação de forças mundial. Verifica-se o enfraquecimento relativo da posição dos EUA, uma estagnação geral da produção nas economias capitalistas mais avançadas e a emergência de novas potências econômicas globais, com destaque para a China. Intensifica-se a tendência para o aprofundamento das contradições entre os centros imperialistas e entre estes e as chamadas economias emergentes.

Intensifica-se a agressividade imperialista. Os focos de tensão e guerra regionais multiplicam-se: na Ásia, na África e no Médio Oriente com a crescente agressividade de Israel, em particular contra o povo palestino. Simultaneamente verifica-se a emergência de forças xenófobas e neo-nazis na Europa bem como as intervenções multifacetadas, as ameaças e a ofensiva contra os movimentos populares e as forças políticas progressistas na América Latina. Aumenta o risco de uma conflagração geral ao nível regional. Neste sentido são fundamentais o alargamento e o fortalecimento da frente social e política anti-imperialista e das lutas pela paz na direção da erradicação das causas das guerras imperialistas.

Há duas vias de desenvolvimento:

• a via capitalista, a via da exploração dos povos, repleta de grandes perigos de guerras imperialistas e para os direitos dos trabalhadores e dos povos;

• e a via da libertação com imensas possibilidades para a promoção dos interesses dos trabalhadores e dos povos, para a conquista da justiça social, soberania popular, paz e progresso. O caminho das lutas dos trabalhadores e dos povos, o caminho do socialismo e do comunismo, que é historicamente necessário.

Graças à contribuição decisiva dos comunistas e do movimento sindical de classe, as lutas dos trabalhadores na Europa e em todo o mundo fortaleceram-se. A agressividade imperialista continua a deperarar-se com uma forte e decidida resistência popular no Médio Oriente, na Ásia e na América Latina. Este fato, a par com a experiência acumulada até agora, especialmente na América Latina, e com as lutas e processos em desenvolvimento, demonstra as potencialidades das lutas de resistência e de classe, que, quando assumindo como seu objetivo derrubar a barbárie imperialista, permitem aos povos dar passos em frente e ganhar terreno infligindo derrotas ao imperialismo.

Saudamos as lutas dos trabalhadores e dos povos e assinalamos a necessidade de as fortalecer ainda mais. As condições exigem a intensificação da luta de classes, da luta ideológica, política e de massas de modo a impedir as medidas anti-populares e promover objetivos de luta que correspondam às necessidades atuais dos povos e apontem para uma contra-ofensiva organizada dos trabalhadores por rupturas anti-capitalistas e anti-monopolistas, pelo derrube do capitalismo pondo fim à exploração do homem pelo homem.

Hoje verifica-se um amadurecimento das condições para a construção de amplas alianças sociais anti-monopolistas e anti-imperialistas capazes de derrotar as agressões e a ofensiva multifacetada do imperialismo, de lutar pelo poder e de promover profundas transformações progressistas, radicais e revolucionárias. A unidade da classe operária, a sua organização e uma orientação de classe do movimento operário são fatores fundamentais para assegurar a construção de efetivas alianças sociais com o campesinato, as camadas médias urbanas, o movimento das mulheres e da juventude.

Nesta luta, o papel dos partidos comunistas e operários a nível nacional, regional e internacional, bem como o fortalecimento da sua cooperação, são indispensáveis. A ação conjunta e coordenada dos Partidos Comunistas, das organizações juvenis comunistas, das organizações anti-imperialistas nas quais os comunistas têm uma importante contribuição, constitui um dos mais sólidos elementos para o alargamento da luta anti-imperialista e para o fortalecimento da frente anti-imperialista.

A luta ideológica do movimento comunista é de importância vital para defender e desenvolver o socialismo científico, repudiar o anti-comunismo contemporâneo, fazer frente à ideologia burguesa, às teorias anti-científicas e às correntes oportunistas que rejeitam a luta de classes, e para combater o papel das forças social-democratas que, apoiando a estratégia do capital e do imperialismo, defendem e concretizam políticas anti-populares e pró-imperialistas. A compreensão da natureza unificada das tarefas de luta pela emancipação social, nacional e de classe, pela promoção clara da alternativa socialista, exige uma contra-ofensiva ideológica do movimento comunista.

A superação do capitalismo e a construção do socialismo constituem uma necessidade imperiosa para os povos. Face à crise do capitalismo e às suas consequências, a experiências e práticas internacionais de construção socialista provam a superioridade do socialismo. Sublinhamos a nossa solidariedade para com os povos que lutam pelo socialismo e estão envolvidos na construção do socialismo.

Só o socialismo pode criar as condições para a erradicação das guerras, do desemprego, da fome, da miséria, do analfabetismo, da insegurança de centenas de milhões de pessoa e da destruição do meio-ambiente. Só o socialismo cria as condições para um desenvolvimento consentâneo com as necessidades contemporâneas dos trabalhadores.

Operários, camponeses, trabalhadores da cidade e do campo, mulheres, jovens, apelamo-vos para que lutem junto de nós para pôr fim à barbárie capitalista. Existe uma esperança, existe uma perspectiva. O futuro pertence ao socialismo.



O SOCIALISMO É O FUTURO!



Atenas, 11 de Dezembro de 2011